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Aliança de Raquel com Marília pode reacender foco na eleição de mulheres como aconteceu em 2022

Governadora Raquel Lyra (PSD) admitiu conversas com o PDT, que busca garantir a candidatura de Marília Arraes para o Senado –

Até agora a presença feminina está restrita ao palanque da governadora, mas, pelo que ela tem dito, se depender de sua vontade o número poderá crescer

Por Terezinha Nunes

Embora nenhuma das chapas para a eleição deste ano tenha sido fechada, esta última semana foi marcada pela primeira conversa entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) sobre a possibilidade de um acordo que dê à ex-deputada a chance de disputar o Senado. Adversárias em 2022 quando a eleição, do começo ao fim, foi protagonizada pelas mulheres levando Pernambuco, pela primeira vez, a dar vitória nas urnas a três delas – Raquel como governadora, Priscila (PSD) como vice e Teresa Leitão (PT) como senadora – se a aliança entre a governadora e Marília se concretizar, a eleição deste ano pode ter, ainda mais, a predominância das mulheres.

Até agora a presença feminina está restrita ao palanque da governadora, que disputará a reeleição, mas, pelo que ela tem dito permanentemente em entrevistas e posicionamentos na Região Metropolitana e no interior, se depender de sua vontade o número poderá crescer. “Sou a primeira mulher a governar Pernambuco mas não desejo ser a última”, afirmou, no dia 05 deste mês em solenidade comemorativa da Data Magna, no Museu Cais do Sertão, deixando claro que deseja despertar em outras mulheres a necessidade de pertencimento e de participação na vida pública.

Discriminação

– “Ela sabe do que enfrentou no relacionamento com a Assembleia nesse primeiro mandato, sempre deixando claro que se fosse homem o tratamento seria outro, e não vai deixar de olhar para outras mulheres que desejem seguir seu caminho”- diz o deputado estadual Antonio Moraes (PP), que faz parte da base do Governo na Alepe e tem defendido na tribuna e nas comissões os posicionamentos da governadora, ressaltando o caráter machista de alguns parlamentares.

Teria sido esse o sentimento dela quando falou com Marília e com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, com quem deve voltar a se encontrar na próxima quarta-feira em Brasília? “Estou conversando com todo mundo” – afirmou à imprensa esta quinta-feira no Sertão do Pajeú quando indagada sobre a possibilidade da ex-deputada ocupar uma das vagas para o Senado na sua chapa. E mesmo que Marília, por algum motivo, não venha a ficar com ela, a disposição para receber a candidata com a qual enfrentou o segundo turno da eleição de 2022 é um sinal, como observou um dos seus auxiliares mais próximos, “ de interesse e disposição de chegar mais perto de outras mulheres que podem estar enfrentando o mesmo que ela enfrentou”.

Na verdade, a governadora entende, como afirmam os mais próximos, que a negação da legenda do PSB, seu partido, para que ela disputasse a Prefeitura de Caruaru em 2016 – foi obrigada a migrar para o PSDB, legenda pela qual venceu a eleição, foi reeleita e conquistou o mandato de governadora – teve o sabor indigesto da discriminação. O mesmo que Marília enfrenta, de alguma forma, ao ponto de ter 30% de preferência na eleição para o Senado e ainda estar sem legenda para disputar. Só nos últimos 30 dias conseguiu o apoio do PDT mas ainda se levantam dúvidas no meio político sobre isso uma vez que Carlos Lupi nem sempre cumpre os acordos políticos até o fim.

Lideranças consolidadas

A cientista política Priscila Lapa acha que será interessante a disputa eleitoral com Raquel e Marília que, na sua opinião, têm liderança consolidada na política estadual. Ela concorda que “ a eleição deste ano, assim como a de 2022, terá importância simbólica pela consolidação do protagonismo feminino, com destaque para a liderança da governadora. Ela não apenas se tornou referência como chefe do Executivo, como pelo seu protagonismo como liderança na chapa que disputará o Senado e as vagas na Câmara Federal e na Alepe”.

Para ela, “quem ainda olhava com desconfiança para a capacidade de uma mulher liderar um projeto político, tem na governadora uma referência independente do resultado da eleição. A liderança dela está consolidada, a despeito do resultado da urna”.

Sobre Marília, Priscila afirma que “ela também consolidou sua liderança, mesmo sem ter mandato e sem ter ainda definido o seu lugar no pleito. A forma como consegue hoje circular entre diversos grupos políticos e ter seu nome considerado nas disputas, a coloca como uma das peças importantes no cenário estadual, onde predominam, assim como no restante do país, as lideranças masculinas.” Agora é aguardar.

Redação com texto de Terezinha Nunes compartilçhado do JC em 15/03/2026 Foto:Janaína Pepeu/Secom; Artur Borba/JC Imagem

e-mail: redacao@blogdellas.com.br/terezinhanunescosta@gmail.com

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