Exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa” chega ao Instituto Ricardo Brennand

_Mostra revisita Rugendas a partir de um olhar indígena e fica em cartaz até 31 de maio_
Após temporada em Brasília, a exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa: um olhar indígena sobre a obra de Rugendas” passa a integrar a programação do Instituto Ricardo Brennand, na Várzea, a partir deste sábado (14) com visitação até 31 de maio. A mostra ocupará a Sala da Rainha e chega ao Recife apresentando um diálogo inédito entre o artista alemão Johann Moritz Rugendas (1802–1858) e a produção contemporânea do artista visual indígena Ziel Karapotó, um dos representantes do Brasil na 60ª Bienal de Veneza (2024).
Alagoano radicado em Pernambuco, Ziel Karapotó é oriundo da comunidade Karapotó Terra Nova. Reconhecido por construir narrativas com protagonismo indígena, o artista desafia os discursos historicamente impostos sobre os povos originários. Em sua proposta, ele estabelece uma interlocução entre suas obras e 12 litografias aquareladas de Rugendas pertencentes ao acervo do Instituto RB. Enquanto o pintor europeu retratava indígenas e pessoas escravizadas no século XIX sob uma ótica eurocêntrica, Karapotó oferece uma releitura crítica e poética dessas representações.
A curadoria é assinada pelo próprio artista em parceria com a antropóloga e diretora do Instituto Ricardo Brennand, Nara Galvão. Juntos, constroem uma contranarrativa iconográfica e pictórica, propondo novas paisagens, diálogos e reflexões sobre as formas como os povos indígenas foram representados ao longo da história da arte.
Para Nara Galvão, dar visibilidade às pesquisas e criações de artistas indígenas é também fortalecer uma museologia experimental e plural. “Essas iniciativas oferecem uma plataforma fundamental para que os artistas compartilhem suas perspectivas, culturas e histórias próprias, promovendo autorrepresentação e reconhecimento dentro do sistema da arte”, destaca.
A mostra inclui uma grande instalação individual, resultado de quatro anos de pesquisa sobre a obra de Rugendas, além de vídeos, performances, fotografias, pinturas e desenhos. A proposta não apenas revisita o passado, mas também convoca o público a repensar os modos de ver e narrar a história a partir de outras epistemologias. “Ao trazer essa exposição para o Recife, o Instituto Ricardo Brennand reafirma o compromisso com a difusão da cultura brasileira, ao abrir espaço para que artistas contemporâneos se tornem protagonistas de suas próprias histórias”, afirma Ziel Karapotó.
A exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa: um olhar indígena sobre a obra de Rugendas” reforça a importância de valorizar a diversidade étnica e cultural do Brasil, país que abriga mais de 370 povos indígenas e 270 línguas, segundo o Censo 2023. Também funciona como uma ferramenta de aplicação da Lei 11.645, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura indígena nas escolas, integrando ações educativas voltadas ao público visitante.
Sobre Ziel Karapotó
Com uma trajetória marcada pela recodificação das linguagens artísticas hegemônicas, Ziel Karapotó vem se consolidando como um dos nomes centrais da arte contemporânea indígena no Brasil. Além da Bienal de Veneza (2024), o artista participou da Mostra Sesc de Artes Indígenas Contemporâneas (2016) e da exposição Histórias Indígenas, no MASP (2023–2024).
SERVIÇO
Exposição: “Todos falam de mim, ninguém me representa: um olhar indígena sobre a obra de Rugendas”
Onde: Instituto Ricardo Brennand, na Alameda Antônio Brennand, s/n, Várzea
Quando: De 14 de março a 31 de maio
Horário: De terça a domingo, das 13h às 17h
Ingressos: Inteira – R$ 60,00 / Meia – R$ 30,00 / Compra pelo site www.institutoricardobrennand.org.br ou na bilheteria.
Mais informações: (21) 2121.0365/0334
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