Os Arredores do Recife: Obra do historiador Pereira da Costa é reeditada pela Cepe
Conjunto dos últimos artigos escritos pelo historiador Pereira da Costa (1851-1923), o livro Os arredores do Recife, publicação já editada por três vezes e todas esgotadas, ganha pela Cepe uma edição que se diferencia das versões anteriores: resgata a versão original dos escritos publicados no jornal Diario de Pernambuco, entre os anos 1921 a 1923. Os artigos de Pereira da Costa mostram um Recife além das fronteiras do seu núcleo urbano central, formado por quatro freguesias, hoje correspondentes aos bairros do Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista, e que tinham entre 90 mil e 100 mil habitantes.“A partir desse olhar foi possível conhecer as histórias de origem daquelas áreas, e compreender como elas foram sendo transformadas ao longo dos séculos, até que formassem a cidade que temos hoje, na segunda década do século XXI”, considera Bruno Almeida.
Esta nova edição de Os arredores do Recife traz 25 artigos, sendo 24 da grande série publicada em 1921 e 1922 e um sobre o bairro de Afogados, de 1923, em 232 páginas, além de 65 imagens (fotos, gravuras e mapa) O ordenamento dos artigos obedece ao critério territorial, adotado por Pereira da Costa, e não mais a ordem alfabética dos lugares como nas edições anteriores. Assim, São José do Manguinho, Capunga, Chora Menino e Estância ficam juntos por serem arrebaldes da então freguesias da Graças, esclarece Bruno.
Do Recife dos tempos de Pereira da Costa há localidades que desaparecem como referência geográfica. Exemplo é Barreta. Originária do antigo sítio ou fazenda Barreta, suas terras margeavam o litoral Sul e se estendiam de Afogados à praia de Boa Viagem. Outras localidades foram incorporadas ao novo mapa, como Remédios, denominação vinda da Estrada dos Remédios, e povoação Arraial, hoje Zona Norte da cidade. Também havia lugar com o mesmo nome de um bairro de hoje: Estância.
A Estância de hoje fica na Zona Oeste e a conhecida por Pereira da Costa, descrita em artigo de janeiro de 1922, era a “Estância de Henrique Dias”. Nos tempos do historiador, ela circunscrevia à “rua extensa, larga e de alinhamento reto, tendo ao fundo a tradicional Capela de Nossa Senhora da Assunção, isoladamente construída, correndo aos lados duas travessas que vão ter a um pontilhão que dá passagem para a bela Praça do Derby. Essa rua já fica nos limites da paróquia da Boa Vista com a das Graças”.
As notas são outro diferencial desta edição. Ao todo, 169. Três foram preservadas na íntegra de edições anteriores – duas do historiador José Antônio Gonsalves de Mello e uma do historiador Leonardo Dantas Silva – e as demais têm a assinatura do organizador do livro.
Ao optar pelos artigos publicados no Diario de Pernambuco, a versão da Cepe Editora revisou os textos. Algumas revisões foram dos erros meramente tipográficos, como trocas ou supressões de letras, e outras, a reposição que haviam sido cortadas nas edições anteriores do livro. Ainda, conforme o organizador, o título traz modificações feitas por Pereira da Costa após às publicações dos artigos no Diario de Pernambuco. Estas modificações constam nos Anais Pernambucanos, obra historiográfica de Pereira da Costa, com 10 volumes, 5.566 páginas e que narra fatos relacionados à província no período entre 1493 e 1850.
Sobre os autores
O historiador, folclorista, advogado e político Francisco Augusto Pereira da Costa (1851-1923) nasceu no Recife, foi membro do Instituto Artístico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e fundador da Academia Pernambucana de Letras (APL). Entre suas obras, destacam-se Anais pernambucanos, Folk-lore pernambucano e Vocabulário pernambucano. Organizador de Os arrredores do Recife, Bruno Almeida de Melo já assinou a organização de outras duas obras de Pereira da Costa pelo selo da Cepe Editora: Os bispos de Olinda (1676-1910), em 2023, e Tempos de jornal: reminiscências histórico-pernambucanas, em 2024. Pesquisador e sócio do IAHGP, Bruno é mestre em desenvolvimento e meio ambiente pela UFPE.


