
O sigilo e a democracia – Por Júlio Lóssio*

A lei de proteção ao cidadão que garante o sigilo fiscal certamente foi criada para proteger, e não para blindar esse cidadão de possíveis irregularidades.
Penso, inclusive, que agentes públicos — desde políticos a funcionários públicos ordenadores de despesas — que optaram por carreiras que cuidam e devem proteger o dinheiro público, deveriam ter abertas para o público suas questões de renda e evolução patrimonial.
Um velho ditado diz: “quem não deve, não teme”. A quebra de sigilo pode até vir a ser um grande atestado de idoneidade; já a negativa em fazê-lo parece ter o efeito contrário.
Tive a honra de ser prefeito de Petrolina por 8 anos e teria prazer em apresentar esse atestado de idoneidade à sociedade.
Esta semana, tenho visto o noticiário acerca da quebra de sigilo de filho de Presidente, família de Ministro do Supremo e por aí vai.
Que caiam os sigilos!
Que apareça a verdade!
Para que a democracia permaneça viva em um dos seus princípios basilares, que é o da publicidade.
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*Júlio Lóssio é médico e ex-prefeito de Petrolina
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