Luta pelo Senado gera ansiedade, guerra de narrativas e campanha na internet

Do alto do seu primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, a ex-deputada federal Marília Arraes foi quem melhor definiu o clima vivido pelos pré-candidatos ao Senado em Pernambuco neste momento em que falta pouco mais de um mês para as cartas serem colocadas na mesa pela governadora Raquel Lyra e pelo prefeito João Campos. “Tem muita gente ansiosa querendo pressionar os candidatos a governador” disse ela esta semana em seu Instagram referindo-se em seguida a “candidatos de si mesmo” que, no seu entender, estariam pressionando o prefeito quando nem ele próprio confirmou ainda que vai disputar o Governo.
Marília é uma das que está ansiosa pois aguarda uma chance de compor a chapa de João Campos e mesmo com inquestionáveis intenções de voto – sempre figura em primeiro lugar nas pesquisas – não pode contar antecipadamente com isso. No momento o prefeito só tem um nome definido: o do senador do PT, Humberto Costa, candidato à reeleição. Mas à medida que a hora das definições se avizinha, embora venham conseguindo se conter em público, os pré-candidatos deixam extravasar a ansiedade em suas redes sociais.
O problema maior está concentrado, no momento, nos dois nomes disponíveis na Federação União Progressista – o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado federal Eduardo da Fonte, que travam uma luta intestina à respeito do destino da Federação – e no ministro Sílvio Costa Filho, do Republicanos, que apareceu em segundo lugar em algumas simulações da pesquisa Big Data e inundou a Internet esta quarta-feira de fotos com Lula, comemorando a performance conseguida.
Inquietação na Federação
Nunca se poderia imaginar que em Pernambuco, onde existe uma polarização declarada entre Raquel Lyra e João Campos, pré-candidatos ao Senado conversassem ao mesmo tempo com os dois lados. Isso, porém, já aconteceu. Inseguros sobre o destino da União Progressista, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho conversou recentemente com a governadora, embora apareça constantemente em fotos com João Campos como aconteceu no Baile Municipal, e o deputado federal Eduardo da Fonte, que faz parte da base de Raquel desde o início da atual administração, teve há pouco tempo uma conversa reservada com o prefeito João Campos.
Um só destino
Na verdade, Miguel Coelho e Eduardo da Fonte têm um destino comum. Membros de uma Federação, o que obriga os dois partidos federados, PP e União Brasil, a seguirem juntos por quatro anos, principalmente na época de eleições, eles só podem estar ou no palanque de Raquel ou no de João. Nesse quesito não há meio termo. Neste momento a bola está mais com a governadora que teria inclusive se comprometido a aceitar os dois como seus candidatos, mas isso tem a ver com entendimento entre eles, o que foge ao controle do Palácio do Campo das Princesas.
Conversa pra todo lado
– Tá todo mundo conversando com todo mundo”- disse de forma redundante um deputado estadual esta quarta-feira espelhando o clima da luta pelo Senado nos bastidores políticos e justificando o fato das conversas políticas, antes mantidas a sete chaves, estarem agora chegando ao conhecimento geral. O senador Humberto Costa e o ministro Sílvio Costa Filho já estiveram com Raquel e João. O senador Fernando Dueire, do MDB, que busca a reeleição já falou por telefone com o prefeito mas tem estado mais presente no Palácio do Campo das Princesas. A única que só tem falado com João Campos é Marília Arraes até pelo fato de ter disputado com Raquel a eleição de 2022 e as duas não terem se encontrado desde então.

Onde vai parar a ansiedade dos pré-candidatos ao Senado este ano?
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