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Uso da IA na educação exige mediação, limites e protagonismo dos estudantes

Muito se fala sobre o uso da inteligência artificial (IA) no processo educacional, especialmente no ensino fundamental e médio. Ferramentas baseadas em IA já fazem parte da rotina de crianças e adolescentes, influenciando a forma como estudam, pesquisam e produzem conhecimento. Com a volta às aulas, o debate ganha ainda mais força, sobretudo diante das transformações recentes no ambiente escolar.

Em 24 de janeiro de 2025, a UNESCO dedicou o Dia Internacional da Educação à inteligência artificial, destacando o potencial da tecnologia para personalizar o ensino, apoiar professores e ampliar o acesso ao conhecimento. A organização, no entanto, também alertou para riscos como o uso excessivo sem mediação pedagógica, a dependência cognitiva e a fragilização do pensamento crítico entre estudantes.

Já em 2026, a UNESCO ampliou o debate ao dedicar a mesma data ao tema “O poder da juventude na co-criação da educação”, reforçando a importância do protagonismo dos estudantes na construção dos processos de aprendizagem. A mudança de foco evidencia que a discussão sobre tecnologia, incluindo a IA, precisa considerar não apenas inovação, mas também participação ativa, autonomia e responsabilidade.

No Brasil, esse cenário se soma ao contexto da Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso de celulares nas escolas públicas e privadas. Em 2026, os estudantes retornam às salas de aula após um ano de adaptação às novas regras. Para o médico Sormane Britto, especialista em metabolismo, fisiologia do exercício, healthtech e inovação, não é possível discutir inteligência artificial sem abordar o papel do celular. “O celular é hoje o principal meio de acesso às ferramentas de IA. Quando falamos em restrição, estamos falando de reorganizar o uso, não de excluir a tecnologia do processo educacional”, afirma.

Segundo o especialista, a lei trouxe um ponto de inflexão importante. “A restrição do celular obriga escolas e educadores a definirem quando, como e com que finalidade a tecnologia deve ser utilizada, evitando o uso automático e sem critério”, avalia Sormane Britto.

Do ponto de vista pedagógico, a inteligência artificial pode ser positiva quando bem orientada. “Ferramentas de IA podem apoiar o aprendizado, ampliar repertórios e ajudar na organização dos estudos, desde que não substituam o esforço cognitivo do aluno nem o papel do professor”, explica. “Sem mediação, há risco de empobrecimento do aprendizado e perda da autonomia intelectual.”

Além dos impactos educacionais, o uso intensivo de tecnologias digitais também preocupa em relação à saúde. “O aumento do tempo de tela contribui diretamente para o sedentarismo entre crianças e adolescentes, um problema já grave”, alerta Sormane Britto. Dados citados pela UNESCO em relatórios em diálogo com a Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 80% dos adolescentes no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade física. Para o especialista, o desafio está no equilíbrio.

“A inteligência artificial é um avanço inevitável, mas precisa caminhar junto com limites claros, mediação pedagógica e incentivo ao desenvolvimento físico, cognitivo e emocional dos estudantes”, conclui.

Redação com assessoria Foto: arquivo

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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