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João Paulo diz que apoio de Lula não define eleição em Pernambuco e defende até três palanques em 2026

Deputado do PT diverge de Teresa Leitão, avalia que Raquel Lyra não fará oposição ao presidente e vê Humberto Costa mais próximo da governadora

Por Ryann Albuquerque

O deputado estadual João Paulo (PT) afirmou que o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora relevante, não é decisivo para garantir vitória nas eleições estaduais em Pernambuco.

Em entrevista à Rádio Jornal, no programa Passando a Limpo, nesta quinta-feira (15), o parlamentar usou o histórico eleitoral do próprio PT no estado para defender um palanque amplo em 2026 e relativizar o peso da presença direta do presidente na disputa pelo governo.

“O nosso senador Humberto já perdeu para governador com apoio de Lula. Marília perdeu com apoio de Lula. Eu já perdi com apoio de Lula”, lembrou.

Segundo João Paulo, a experiência recente demonstra que o desempenho estadual depende mais da avaliação dos governos locais do que do apoio presidencial. “O fato de subir no palanque não tem um peso significativo”, afirmou.

Na avaliação do deputado, o resultado da eleição passará, sobretudo, pela capacidade de entrega do Executivo estadual. “Vai depender muito das entregas que a governadora está fazendo e do que ela está se propondo a fazer para o povo de Pernambuco”, disse.

Dois ou até três palanques

Ao tratar da estratégia do PT no estado, João Paulo divergiu da senadora Teresa Leitão (PT), que defende a presença de Lula em apenas um palanque em Pernambuco. Para o deputado, é possível que o presidente seja apoiado por mais de uma candidatura sem prejuízo ao projeto nacional do partido.

“Eu acho que o PT tem que começar a discutir isso com mais tranquilidade”, afirmou. “Caso o prefeito do Recife seja candidato, eu defendo não só dois palanques, mas até três.”

Segundo ele, além das possíveis candidaturas do prefeito do recife, João Campos (PSB), e da governadora Raquel Lyra (PSD), há espaço para uma terceira alternativa no campo progressista, com o ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL).

“Vou conversar com o nosso amigo Ivan Moraes para que ele se incorpore a essa luta na reeleição do nosso presidente Lula”, disse, ao lembrar que o PSOL historicamente caminha com o PT nas eleições nacionais.

A discussão ocorre em um cenário em que Lula sempre venceu as eleições presidenciais em Pernambuco, inclusive em anos em que candidatos do PT foram derrotados na disputa pelo Governo do Estado, preservando no eleitorado pernambucano uma base sólida, mesmo sem que seu apoio seja definitivo.

O deputado ressaltou que a discussão ainda está em curso e que a decisão final caberá à direção nacional do partido. “A discussão interna é importante, mas quem vai decidir, no fim, é a direção nacional, a partir do que for melhor para Lula”, afirmou.

Relação com Raquel Lyra

João Paulo também avaliou que, mesmo sem declarar apoio formal ao PT, a governadora Raquel Lyra não deve adotar uma postura de oposição ao presidente Lula. Segundo ele, a relação institucional entre os governos tende a se refletir no comportamento político em 2026.

“Eu não acredito que ela vá fazer uma linha de oposição ao governo do presidente Lula”, disse. “O governo dela tem sido muito beneficiado, e ela reconhece essa relação de apoio do governo federal.”

O deputado afirmou ainda que parte da base política da governadora deve votar em Lula, independentemente da posição oficial de Raquel na disputa presidencial.

“Mesmo que ela tenha outro candidato a presidente, uma base significativa do governo dela vai votar e apoiar o governo do presidente Lula”, afirmou.

Senado e federação

Ao comentar o cenário para o Senado, João Paulo avaliou que o senador Humberto Costa (PT) pode integrar uma chapa com apoio da governadora Raquel Lyra, o que, na leitura dele, ampliaria as chances de reeleição do petista.

A avaliação leva em conta a disputa por apenas duas vagas em Pernambuco e o desenho ainda indefinido das alianças para 2026.

Pelo campo liderado pelo prefeito João Campos , a concorrência tende a ser mais acirrada. Estão cotados nomes como o presidente nacional do União Brasil, Miguel Coelho, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), além da ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade).

Diante desse cenário, João Paulo avalia que uma composição com a governadora poderia ser estratégica para Humberto, ao possibilitar uma chapa com dois nomes alinhados ao campo governista e à base do presidente Lula.

“Seria muito importante para a reeleição de Humberto uma participação efetiva numa chapa que pudesse eleger os dois senadores”, afirmou.

Além disso, a disputa também deve contar com a tentativa de reeleição do senador Fernando Dueire (MDB), o que reforça a complexidade do quadro e a disputa intensa pelas duas cadeiras em jogo.

O deputado também comentou o apoio do PV estadual à reeleição da governadora e avaliou que o movimento pode facilitar o diálogo com o PT, já que as siglas integram, junto com o PCdoB, a Federação Brasil da Esperança.

“A posição do PV é importante e é uma referência para a federação”, disse, ponderando que, apesar das diferentes proximidades internas, a tendência é que a federação marche unida, conforme a orientação nacional.

redação com texto de Ryan Albuquerque publicado no JC em 15/01/2026 Foto:Gabriel Ferreira/JV imagem

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

 

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