Quando o capacitismo dói, apenas respeite – Por Daniela Rorato*

“O que eu quero é que você comece o ano novo com os dois pés : os dois pés na porta , os dois pés na areia, os dois pés na jaca “ … diz uma das minhas atrizes favoritas na propaganda das @havaianas. Críticas por ideologia política à parte, eu não gostei da propaganda mesmo sendo esquerdista (com muito orgulho e lucidez).
Mas como mãe atípica ativista, tô sempre exercitando a empatia e pensando em como uma criança sente ao receber mensagens capacitistas. Sabendo que essa estrutura capacitista alimenta o bullying, e que quando dói no nosso calcanhar, ou na falta dele, devemos apenas respeitar. Nem todo mundo tem os dois pés e por dolorosos e variados motivos. Um deles atualmente promove uma epidemia de amputamentos no país: o transporte por motos de aplicativo . São mais de 120 mil amputamentos por ano. Inclusive atingido a classe trabalhadora, que se expõe ao risco.
Aí você vê marcas mundiais como a @asicsbrasil lançar programas como o ASICS Para Todos: que vende só um pé de tênis e pela metade do preço para pessoas com amputação. E vê a @havaianas usando de um trocadilho que é bem capacitista sim. Experimente repetir para uma criança ou adolescente que ela “vire o ano com dois pés “ quando ela está tentando aprender a andar com um só.
Constatação: pessoa com deficiência não é nada neste país. Apenas invisível. A publicidade não se dá ao trabalho de incluir comunidade, nem para um diversity whashing.
Atenção, comunidade autista: vem aí os fogos de final de ano!
*Daniela Rorato – é ativista por um mundo sem inclusão seletiva.