Pesquisa aponta retração nas compras de Natal na RMR
Mercado de presentes encolhido, com quase 42% dos consumidores optando por não gastar, sinaliza cautela econômica extrema
O Núcleo de Inteligência de Mercado do Centro Universitário Frassinetti do Recife (UniFafire) acaba de divulgar os resultados da tradicional pesquisa de hábitos de consumo para o Natal realizada com moradores da Região Metropolitana do Recife (RMR). Os dados apontam que as festividades natalinas este ano devem ser significativamente mais restritas para as famílias da RMR. A intenção de compra de presentes caiu de 62,81% em 2024 para 56,55% este ano, representando uma redução de 6,26 pontos percentuais. Já o número de pessoas que não pretendem comprar presentes aumentou de 34,05% para 41,20%.
De acordo com a pesquisa, a retração indica uma maior cautela dos consumidores diante do cenário econômico e da pressão sobre a renda. Para o varejo, o estudo alerta que a base de consumidores dispostos a comprar diminuiu, exigindo estratégias mais assertivas para atrair o público que ainda pretende gastar. Para o educador financeiro, João Paulo Nogueira, coordenador do Núcleo de Inteligência de Mercado da UniFAFIRE e responsável pela pesquisa, a mudança indica um cenário mais desafiador para o comércio em 2025, sugerindo que o consumidor está mais sensível a fatores econômicos adversos como inflação ou restrição de renda.
O levantamento foi realizado entre os dias 17 de novembro e 4 de dezembro por estudantes da Projetos Júnior sob a supervisão dos consultores da UniFafire, e ouviu 801 entrevistados, utilizando questionários estruturados aplicados em diversos pontos da cidade, como Boa Viagem, Pina, Santo Amaro, Derby, Marco Zero, Casa Forte, Madalena, Encruzilhada, Cabo de Santo Agostinho, Peixinhos e outros. O estudo possui 95% de nível de confiança e 3,5 pontos percentuais de margem de erro.
Entre os entrevistados que vão presentear, o comportamento de consumo revela uma polarização nos gastos. A faixa acima de R$ 200 é a mais mencionada com 33,33%. Por outro lado, 50% dos entrevistados pretendem gastar até R$ 100 com os presentes, reforçando o apelo de lembranças simbólicas e de menor valor. A categoria intermediária, que representa a faixa de R$ 100,01 a R$ 200,00, foi a menos citada, ficando com 16,67%. O consumidor está “pulando o meio-termo”: ou investe mais nos presentes destinados ao núcleo familiar ou opta por presentes simples para a rede ampliada de amigos e parentes.
O estudo também revela que os filhos e enteados são maioria entre os presenteados no Natal devido ao forte vínculo emocional dos pais, que desejam demonstrar amor e cuidado nessa data. O período tem forte apelo infantil, reforçado por tradições como o Papai Noel e o foco em brinquedos. Campanhas publicitárias e normas sociais também incentivam a priorização das crianças. Além disso, muitos pais aproveitam a ocasião para recompensar o comportamento ou conquistas dos filhos ao longo do ano. Esses fatores tornam as crianças o centro das atenções durante a celebração natalina.
Pix domina as formas de pagamento – Quando questionados sobre como será a forma de pagamento utilizada, o pix está entre os principais meios, sendo escolhido por 42,89% dos entrevistados. A preferência é impulsionada pela praticidade da transferência instantânea e por descontos oferecidos para pagamentos à vista. No entanto, o cartão de crédito permanece relevante, especialmente nas compras parceladas (19,96%), enquanto o dinheiro em espécie mantém participação expressiva (17,41%), fortalecendo o comércio de rua e o Centro do Recife.
Lojas físicas seguem na preferência dos consumidores – Apesar do avanço do comércio digital, a maioria dos moradores da RMR, ou seja, 63,70% escolhe a loja física para suas compras de Natal. Essa preferência é motivada pela necessidade de ver e testar os produtos, garantindo qualidade e segurança, e pela valorização do imediatismo. O gasto físico está equilibrado entre o Centro do Recife (32,91%) e as lojas de bairro (30,79%), mostrando a força do comércio de proximidade. Para as empresas, o desafio é otimizar a experiência física com o clima festivo e o atendimento humanizado, enquanto o e-commerce (30,57%) deve focar em plataformas confiáveis e estabelecidas, com ênfase na política de troca e frete.
Roupas e acessórios lideram intenção de compra – A pesquisa também identificou que a categoria roupas e acessórios deve ser o grande motor das vendas neste Natal, representando 44,89% das intenções. Produtos de beleza também ganham destaque com 13,62%, impulsionando o mercado de gifts rápidos e de baixo custo. Já categorias de maior investimento, como brinquedos (17,03%) e eletrônicos (10,53%), devem ser direcionadas a familiares mais próximos (filhos, cônjuges e pais).
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