Governistas dominam debates na Alepe após recuo da oposição

Quase todos os dias dois a três deputados fiéis ao Palácio das Princesas fazem pronunciamentos sobre os trabalhos realizados pelo Governo
Por Terezinha Nunes
Numa refrega que parecia não ter fim e chegou a colocar o Governo em maus lençóis, a oposição dominou a pauta e os debates na Assembléia Legislativa no início deste ano quando, com o apoio do presidente da Casa, deputado Álvaro Porto, manobrou nos bastidores e, apesar de minoria, assumiu o comando das três principais comissões, coisa inusual na história de Pernambuco onde sempre se respeitou a paridade entre os partidos; chegou a aprovar a abertura de uma CPI e se recusou a por em pauta – algo também inusitado – dois pedidos de empréstimo da governadora – um deles ficou nas gavetas quase seis meses – e permanentemente atacava o Executivo na Tribuna com pouca ou quase nenhuma resposta da base do Governo.
Depois de muita polêmica, bate-boca entre parlamentares e da própria governadora ter sido obrigada a ouvir o que não gostaria, como o vazamento de um áudio do deputado Álvaro Porto, enquanto ela discursava na Alepe, classificando de m… o seu pronunciamento – ele depois se desculpou – há mais de um mês, como num passe de mágica, a bancada do Governo deu a volta por cima. Aproveitando um aparente cochilo dos oposicionistas, quase todos os dias dois a três deputados fiéis ao Palácio das Princesas fazem pronunciamentos sobre os trabalhos realizados pelo Governo em todas as áreas, sem contestação da oposição.
Criticas a João Campos sem resposta
Nem mesmo pronunciamentos mais ácidos dos deputados Débora Almeida e Renato Antunes, na última terça-feira, criticando o prefeito João Campos, que vai enfrentar a governadora na eleição de 2026, acusando-o de negociar no mercado os precatórios dos professores, foram refutados pelos parlamentares do PSB. Esta quinta-feira, uma reação da líder do Governo, deputada Socorro Pimentel, a uma fala do presidente da Alepe, classificando-o de “turrão” foi respondida prontamente por ele mas não mobilizou outros deputados a entrar em polêmica, devendo ficar circunscrita a um momento infeliz.
A mudança de postura da oposição está se verificando até mesmo nas comissões principais que tem enfrentado dificuldades para ter quórum. Esta segunda-feira apenas o presidente da comissão de Finanças, deputado Antonio Coelho, que é de oposição, compareceu à audiência por ele marcada com o secretário do planejamento, Fabrício Marques, que foi tirar dúvidas sobre a LOA ( Lei de Diretrizes Orçamentárias) em debate na casa. Não fosse o comparecimento de deputados do Governo, Antonio teria passado pelo vexame de inquirir sozinho um dos mais importantes secretários estaduais.
Pesquisas e emendas
O que teria acontecido? “Acho que houve duas coincidências. O Governo entendeu que precisava dar mais informações a seus deputados para rechear seus pronunciamentos e a oposição aparentemente anda satisfeita com o pagamento das emendas parlamentares que, ao contrário do que eles diziam, não está excluindo ninguém, todos estão recebendo dentro do previsto, Governo e Oposição “- afirma um deputado de linha independente.
Para o deputado Antonio Moraes, que apoia o Governo, a explicação é mais simples: “eles começaram seus ataques numa época em que imaginavam que João Campos estava eleito e acabaram exagerando e fazendo bobagem como no caso da CPI que foi derrubada pela justiça por falta de objeto. Agora perceberam pelas últimas pesquisas que a governadora está crescendo, tem mais de 60% de aprovação e pelas entregas que vem fazendo vai crescer mais ainda. A eleição será duríssima. Não há mais favoritos e a governadora tem todas as condições para conquistar a reeleição”.
Um dos mais atuantes parlamentares de oposição, o socialista Waldemar Borges, que, ultimamente, tem utilizado mais as redes sociais que a tribuna para criticar a governadora, não quis responder genericamente: “de minha parte não houve arrefecimento, agora não vivo atrás de picuinhas mas quando tem um assunto mais sério me pronuncio. Busquei até o diálogo com a bancada do Governo em algumas discussões na comissão de justiça mas não tive retorno, apesar do empenho da líder Socorro Pimentel. O governo não deseja dialogar conosco”.
Pagamento acelerado
O crescimento da popularidade da governadora deve ter tido seus efeitos como imagina Moraes mas há que considerar também o movimento do Palácio no sentido de pagar as emendas parlamentares este ano, após ouvir muitas critícas em 2024. Este blog teve acesso a um levantamento feito esta semana demonstrando que dos R$ 252 milhões relativos a emendas de 2024, R$ 210 milhões já foram quitados e dos R$ 42 milhões restantes, R$ 32 milhões não saíram por impedimentos técnicos das entidades beneficiadas. Os outros R$ 10 milhões serão liberados em breve.
Com relação às emendas de 2025, no valor de R$ 302 milhões, R$ 237 milhões estão aptos tecnicamente dos quais R$ 190 milhões foram empenhados e R$ 155 milhões já foram liquidados. Os R$ 65 milhões restantes, segundo o Governo, contém impedimentos técnicos para serem pagos às entidades beneficiadas. Um dos maiores críticos do Governo na Alepe, o deputado Alberto Feitosa, divulgou esta semana um vídeo de inauguração de ruas pavimentadas em Vitória de Santo Antão através de emendas por ele apresentadas. Feitosa afirma que o Governo não está se limitando a informar, por ofício, as pendências de documentação para liberar emendas, como fazia antes, “agora eles até nos telefonam, quando é necessário”.
Será provisório?
Essa calmaria pode ser provisória pois com a aproximação do embate de 2026 devem crescer, por parte da bancada do Governo, as críticas ao prefeito João Campos que o PSB tem tolerado mas, certamente, não vai deixar por menos. Elas farão parte, porém, muito mais do jogo politico do que das picuinhas que foram usadas neste ano de 2025 para impor desgastes à governadora. Além disso, pelo nível em que a bancada governista tem reagido, ela não vai parar, segundo uma fonte do Palácio das Princesas, de se empenhar diariamente na divulgação dos avanços conseguidos na administração estadual.
Há que se considerar ainda o fato de que, em ano de eleição, a bancada oposicionista vai precisar estar muito mais no interior ou nas periferias do Grande Recife, acompanhando lideranças comunitárias ou vereadores aliados, do que na Alepe. Em tempos assim, a Assembléia se reúne na segunda e na terça mas nas quartas o expediente do plenário é só pela manhã, quando se encerra a semana legislativa.
Redação com texto de Terezinha Nunes compartilhado do JC em 16/11/2025 Foto: Jarbas Araújo/Alepe
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