Durante homenagem a mestre Salustiano, o deputado João Paulo apresenta Projeto criando Dia Estadual da Cultura Popular

Em uma homenagem ( in memorial) marcada por emoção e reconhecimento, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) celebrou nesta quarta-feira (12) o legado de Mestre Salustiano, ícone da cultura popular pernambucana. Durante o evento, o deputado João Paulo (PT) apresentou aos presentes o Projeto de Lei que institui o Dia Estadual da Cultura Popular, a ser comemorado anualmente em 12 de novembro, data de nascimento do artista. A cerimônia contou com apresentações da Quadrilha Raio de Sol Mirim, do Cavalo Marinho Boi Matuto de Olinda e da Família Salustiano, manifestações que simbolizam a vitalidade e a diversidade das tradições populares do Estado. Na mesa e na plateia, familiares, amigos e representantes de diversas expressões culturais reforçaram o caráter coletivo e afetivo da homenagem.
Em seu discurso, João Paulo destacou a importância de reconhecer os mestres e mestras da cultura popular e de manter viva a memória de quem ajudou a construir a identidade pernambucana. “É com grande emoção que realizamos esta homenagem a Mestre Salustiano, um dos maiores símbolos da nossa cultura popular, e na qual apresentamos o Projeto de Lei que institui o Dia Estadual da Cultura Popular em Pernambuco. Esta é uma justa homenagem e, mais do que isso, um gesto de compromisso com a preservação e o fortalecimento das nossas raízes culturais”, afirmou. O parlamentar explicou que o projeto incentiva a sociedade civil, grupos culturais, escolas e entidades de preservação da cultura a promoverem atividades educativas, oficinas e apresentações em todo o Estado. “Ao instituir esta data, reafirmamos o compromisso do Estado com a valorização dos saberes e fazeres tradicionais que se perpetuam em terreiros, feiras, ruas, praças e palcos”, completou.
Nascido em Aliança, Manoel Salustiano Soares (1945–2009) foi rabequeiro, compositor, artesão e guardião de tradições como o maracatu rural, o cavalo-marinho, o mamulengo e a ciranda. Fundador do Maracatu Piaba de Ouro e do Cavalo-Marinho Boi Matuto, criou também a Casa da Rabeca do Brasil, em Olinda, espaço de formação e difusão das expressões populares. Sua obra e seu exemplo seguem vivos nas gerações que mantêm acesa a chama da cultura popular pernambucana.
Entre os momentos mais comoventes da solenidade, o filho do homenageado, o músico Maciel Salú, falou sobre a importância do reconhecimento ao legado de seu pai: “Hoje é uma vitória do meu pai, que nasceu em Aliança, veio pra Olinda e criou tudo o que criou, mesmo enfrentando muita discriminação. Porque falar de cultura popular é fácil, mas reconhecê-la é outra coisa. A gente agradece ao deputado João Paulo. Não existe um país sem cultura, e Pernambuco é um grande celeiro dessa cultura.” A mestra Betânia Salustiano, fundadora do grupo Flor de Manjerona, também prestou tributo ao pai: “Ele teve 15 filhos, de vários casamentos, e ensinou a todos o valor da cultura. João Paulo sempre era convidado por ele para o almoço da segunda-feira de carnaval, mesmo quando não era mais prefeito, e sempre foi bem recebido.” Já a secretária executiva de Cultura de Pernambuco, Yasmim Neves, destacou o simbolismo do momento: “Essa homenagem ao Mestre Salu significa amor, afeto e toda a nossa cultura.”
Além do deputado João Paulo, a mesa da sessão foi composta por: Maciel Salú – cantor, compositor, Mestre, rabequeiro, idealizador e curador do Azougue Festival de Cultura Popular; Mestre Ademir Araújo – maestro, compositor, arranjador e um dos grandes ícones do frevo pernambucano; Yasmim Neves – secretária executiva de Cultura do Estado de Pernambuco; Alexandre Miranda – secretário executivo da Secretaria de Cultura de Olinda; Victor Fialho – chefe de gabinete da vereadora Liana Cirne; Imaculada Salustiano – mestra, presidenta do Maracatu Piaba de Ouro e fundadora do Cavalo Marinho Flor de Manjerona; Betânia Salustiano – mestra e fundadora do Cavalo Marinho Flor de Manjerona; e Toni Braga – artista visual e ex-produtor do Mestre Salustiano.
O evento terminou sob aplausos, ao som da rabeca, celebrando a criação da nova data e a permanência do legado de Salustiano. “Que o som da rabeca de Mestre Salustiano continue ecoando como símbolo da liberdade criadora e do orgulho de ser pernambucano”, concluiu o deputado.
Redação com assessoria Foto: divulgação
e-mail: redacao@blogdellas.com.br


