A Esperança não Recebe Visita – Por Paulo André Leitão*

Alegro-me com a notícia de que Germana Accioly lança seu segundo livro no próximo dia 14. A nossa amizade vem do século passado, quando nos conhecemos e trabalhamos na TV Tribuna.
“A Esperança não Recebe Visita” traz no título tema recorrente de suas crônicas e da própria vida – a esperança. A dedicatória fortalece a minha percepção de que é incansável no cultivo do sentimento que, dizem por aí, é o último a morrer: “A esperança é daquela matéria: quanto mais a gente divide, mais longe vai”, palavras adornadas por límpida caligrafia (o P maiúsculo de Paulo parece uma árvore de desenho infantil).
As palavras despem Germana de cuidados. É corajosa. “Autorretrato” descreve o próprio corpo, as entranhas, “vasto campo minado e florido”, e o sentir, “latifúndio sem reforma agrária”. Adorável, a crônica.
Apesar de se reconhecer “insistente e teimosa”, ouso dizer que falta um complemento. Germana é a pessoa mais teimosamente romântica que conheço. As conquistas, os tropeços, as várias mudanças nos caminhos íntimos e profissionais têm o DNA do romantismo. Tá na vida, tá nos livros, nas redes sociais e no arquelógico perderdevista.blogspot.com
Falar de si não embaça a visão do que a cerca. Ao contrário, apura a percepção do “mundo explodindo na sala de estar” e das pessoas com quem convive, como prova “Meu filtro de barro”.
Por conhecer e conviver bem com as palavras, Germana às vezes transforma a prosa em poesia, com imagens ora densas, ora suaves, mas quase nunca superficiais. Lírica, esperançosa, relata “umas alegrias bobas, capazes de salvar a semana”.
A venda direta de “A Esperança” já está perto de 500 exemplares, e mesmo assim a danada se vê no direito de abandonar quem a lê. “Não quero lançar mais livro, não”, “Não sei mais escrever”, diz no próprio livro.
É desabafo, é passageiro, sempre será. Ainda bem!
Paulo André Leitão é Jornalista*
E-mail: redacao@blogdellas.com.br
