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Vladimir Herzog: documentário marca 50 anos do assassinato

Cinco décadas após o crime que chocou o país, a memória de Vladimir Herzog ganha novo fôlego com o lançamento do documentário Herzog – O Crime que Abalou a Ditadura. Produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), o filme reconstrói a trajetória do jornalista, professor e cineasta, morto sob tortura por agentes da ditadura militar em 1975.

A produção traz depoimentos emocionantes de familiares, amigos e colegas de redação, que ajudam a compreender quem foi Herzog e o impacto de sua morte na luta pela redemocratização do Brasil. O documentário foi lançado na última quinta-feira (23) e está disponível no canal do ICL no YouTube.

Para os produtores do filme, os relatos ajudam a entender por que a morte de Herzog causou comoção nacional e se transformou em marco na luta pela democracia no Brasil.

“A grande preocupação que a gente tinha era fazer isso de uma forma que criasse um interesse novo pela história, que já foi contada muitas vezes. A gente queria trazer um elemento novo”, comentou, em entrevista à Agência Brasil, o diretor e roteirista do filme, o jornalista e documentarista, Antônio Farinaci, cujo trabalho se destaca pela investigação de temas históricos, sociais e de direitos humanos.

Uma das vítimas da repressão, Vladimir Herzog nasceu na antiga Iugoslávia e, fugindo do nazismo, veio para o Brasil com a família quando ainda era criança. Sua morte foi informada pelos agentes da ditadura como suicídio, e essa farsa contribuiu para que o caso se tornasse um símbolo da resistência e da luta pela liberdade de imprensa.

A diretora executiva de conteúdo do Instituto Conhecimento Liberta, Márcia Cunha, disse que a história do jornalista vem sendo contada com diversos recortes em vários trabalhos, mas, nesta produção, a escolha foi mostrar um recorte muito específico, que foi o crime em si, desde uma semana antes até uma semana depois, contando porque ele foi morto, o que ocorreu com ele e as consequências do que aconteceu com o jornalista, com o país e com a história brasileira.

“Nesses 50 anos, têm muita coisa acontecendo, porque foi um marco histórico muito grande. A gente escolheu especificamente esse recorte do crime, exatamente para mostrar como a ditadura agia, o que era capaz de fazer e, inclusive, utilizando alguns comportamentos e estratégias que são repetidas até hoje. Por exemplo, eles tinham uma espécie de gabinete do ódio em que jornalistas de direita pregavam contra o Vlado e os jornalistas da TV Cultura. Chamavam a TV Cultura de VietCultura, porque fez uma matéria sobre o Vietnan, então, era comunista. Era a mesma coisa do que a gente vê hoje”, afirmou, lembrando de fatos recentes ocorridos no Brasil, com o reaparecimento de grupos defendendo o regime militar.

Entre os depoimentos que auxiliaram a reconstituição na produção audiovisual, estão os dos jornalistas Dilea Frate, Paulo Markun, Rose Nogueira e Sérgio Gomes; do filho de Vlado, Ivo Herzog; e do diretor e produtor de cinema e televisão, roteirista e escritor brasileiro, João Batista de Andrade.

Redação com Agência Brasil Foto: Instituto Conhecimento Liberta/Divulgação

e-mail: redacao@blogdellas.com.br

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