João ou Raquel: para onde vai o PT?

 

A nomeação do petista Maurício de Josué para comandar o Prorural, concretizada na última sexta-feira, pela governadora Raquel Lyra, levou o PT de Pernambuco a começar a debater internamente o caminho a seguir em 2026, quando estarão em jogo distinto no estado, o bloco da governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição; e o do prefeito do Recife, João Campos, interessado em arriscar-se em um voo mais alto, disputando com Raquel o comando do estado.

“-Apoio a Raquel, se houver, não é para agora” – disse este domingo a este blog uma liderança nacional da legenda, explicando que os petistas acabam de sair da disputa municipal em que, “com raríssimas exceções, o partido aliou-se ao prefeito”. A alegação desta mesma fonte, que conhece bem os caminhos do partido, é de que a definição da legenda em Pernambuco passa também pela eleição nacional, onde PT e PSB estão unidos. “Claro que a governadora, entrando na base de Lula e filiando-se ao PSD terá um peso maior na balança mas isso não é definitivo. Está cedo para resolver.”

De qualquer forma, a turma que defende aliança com Raquel, capitaneada pela bancada estadual com o apoio do deputado federal Carlos Veras e o olhar complacente do senador Humberto Costa, já é mais de 70% do partido e representa a tendência CNB, a mais forte do PT. Esta, inclusive, celebrou intramuros o fato da direção do Recife, a mais simpática a João, ter reagido de forma discreta à ida de Maurício de Josué para o Prorural. Na verdade, o presidente municipal na capital, Cirilo Mota, acostumado a pedir expulsões de quadros partidários, registrou apenas que foi um movimento solo, enquanto o secretário municipal Oscar Barreto limitou o caso a uma questão técnica e afirmou que Maurício é um bom quadro e vai ajudar o Governo.

Rui Costa e Raquel

No Palácio do Planalto, não é segredo de ninguém, que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, é o maior apoio a Raquel no PT e que, se depender dele, a aliança será feita com ela. Já o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha e a própria presidente do PT, Gleisi Hoffmann, são chamados de “campistas”, por defenderem a aliança com João Campos. Quem vai ganhar essa batalha é uma questão difícil de decifrar.

Discurso para Humberto

O gesto recente de Raquel dá discurso para Humberto, se for o caso, incorporar, oficialmente, a tese de alinhamento ao Palácio do Campo das Princesas com justa razão, segundo algumas pessoas do PT. Em primeiro lugar, dá-se como arriscada a espera de uma vaga para o senado no palanque do prefeito onde já se engalfinham nesse sentido o ministro Sílvio Costa Filho e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. E, em segundo lugar, há quem defenda que Lula lute pelo apoio de Raquel e João para sua candidatura a presidente defendendo a tese de “união do estado”. Neste caso nada impede que Humberto seja um dos senadores de Raquel.

Apelo da Revolução Solidária à Dani Portela

O blogdellas que deu, em primeira mão, a notícia do desligamento da deputada Dani Portela e do seu grupo do PSOL, registra um apelo feito pela Revolução Solidária, tendência partidária à qual todos pertencem, para que “conduzam sua saída do PSOL da melhor forma, não criando desgaste público para justificar um ruptura que, ao contrário do que se afirma, é pessoal e não política”. Além de pedir “espaço para um diálogo fraterno” a
Revolução Solidária conclui: “e que todos sigam seus caminhos políticos com liberdade, acima de tudo, respeito”.

Qual o próximo passo dos defensores da aliança do PT com Raquel em 2026?

E-mail: redacao@blogdellas.com.br/terezinhanunescosta@gmail.com

Compartilhar