Brasil ganha primeira gramática indígena na língua Wapichana
A primeira gramática indígena do Brasil foi lançada nesta terça-feira(24 ) em Roraima com 300 páginas, escrita na língua Wapichana.O livro pedagogico será utilizado nas escolas de ensino fundamental da região. O desenvolvimento da obra, que começou em 2013 e foi concluído em 2023, levou dez anos para ser finalizado.
O lançamento ocorreu na Comunidade Indígena Tabalascada, em Cantá (RR). Intitulada “Bayda’aptan Paradakary Ai Chapkinhau Wapichan Paradan Dia’an” (Gramática Pedagógica da Língua Wapichana, em português), a obra foi produzida pelo Museu do Índio, vinculado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em colaboração com professores e lideranças indígenas locais. O livro visa refletir a diversidade dos falantes e fortalecer a identidade cultural do povo Wapichana.
Para a diretora do Museu do Índio, Fernanda Kaingáng, a obra é crucial para aumentar a representatividade indígena em espaços de poder. “Celebramos dez anos de trabalho de muitos professores. A cultura viva é o que nos garante o direito ao território. A cada duas semanas, uma língua desaparece no mundo, muitas delas indígenas. Parabenizamos a força do movimento indígena e dos educadores de Roraima. Os alunos de hoje serão os líderes de amanhã”, afirmou ao site da fundação.
O livro, escrito inteiramente em Wapichana, contém desenhos que retratam o cotidiano da comunidade e, também, algumas atividades para os leitores.
A professora Wanja Sebastião, que participou da construção da gramática, destacou o orgulho pelo lançamento da obra: “Chegamos a este momento, que é de gratidão e orgulho para nós, do povo indígena Wapichana. Nossa luta vem de longe, desde nossos ancestrais. Aqui, lembramos de todos os colegas que contribuíram para este trabalho e que não estão mais entre nós”, celebrou.
Wanja também fez questão de citar Wendy Wapichana, uma indígena que teve uma importante contribuição para o projeto, mas faleceu em decorrência da Covid-19. “Wendy Wapichana foi fundamental para este trabalho, participando das entrevistas, pesquisas e levantamentos em todas as comunidades. Hoje, ela não está conosco, mas sempre estará em nossa história e memória”, disse ao site da Funai.
A presidente da Funai, Joenia Wapichana, celebrou a conquista: “Estamos retornando os trabalhos para que a Funai seja mais presente nas comunidades e caminhe ao lado dos povos indígenas, para que projetos como esse não sejam apenas novidades, mas ocorram com mais frequência”, afirmou .
Redação com Portal Terra Foto: reprodução instagram
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