Junto com Raquel, Priscila e Teresa, Marcia torna-se hoje a quarta mulher no poder

Em menos de um ano, o estado de Pernambuco conseguiu fazer quatro mulheres políticas alçar os voos mais altos do poder no estado. Primeiro, quando os eleitores elegeram Raquel Lyra (PSDB), governadora, Priscila Krause (Cidadania), vice, e Teresa Leitao (PT), senadora, na eleição de outubro último. Esta segunda-feira será a vez da prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT) ser eleita, em chapa consensual, presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE), entidade que representa os 185 prefeitos estaduais.
Assim como as três primeiras, que decidiram se jogar na disputa quando não havia muita perspectiva de vitória – Teresa acabou apadrinhada por Lula mas no começo chegou a ser preterida em seu partido, que optou inicialmente por Marília Arraes – Márcia, uma prefeita sertaneja, de 37 anos, jogou quase sozinha quando resolveu ir à luta pela presidência da AMUPE. Não demorou, porém, a ganhar ares de preferida mas acabou convencida, em nome da unidade, a fazer parte de uma chapa de consenso, articulada pelo atual presidente da Associação, José Patriota, hoje deputado estadual.
Pelo consenso ela decidiu assumir a presidência por um ano (o mandato tem dois anos) para ser substituída pelo prefeito de Paudalho, Marcelo Gouveia, na segunda metade do mandato. A alegação foi de que ela é candidata à reeleição e seria difícil contemporizar um campanha municipal com a presidência de uma entidade que exige muito do seu principal dirigente. Por conta disso, Márcia assume agora a presidência e Marcelo a substitui em 2024. Nada impede, porém, dependendo do que fizer neste primeiro ano, que ela volte a disputar a presidência em 2025.
Destemida, criou o movimento “Luquel”
Prefeitos que apoiam Márcia desde o início da campanha pela presidência da AMUPE dizem que além de inteligente e destemida, a prefeita tem luz própria e alta aprovação em Serra Talhada. Destemor parece que sobra no caso dela. Na eleição de 2022 votou no primeiro turno no candidato a governador Danilo Cabral (PSB), apoiado por seu partido, o PT, mas no segundo turno, quando o PT apoiou Marília Arraes, ela optou por Raquel Lyra criando a chamada chapa “Luquel”, dos eleitores de Lula (como ela) e Raquel. Márcia conseguiu que o PT a liberasse para pedir votos para Raquel e, ao mesmo tempo, ser a coordenadora da campanha de Lula no sertão pernambucano.
Raquel cita Priscila nas redes
Após viagem de uma semana a Portugal, acompanhada dos filhos, a governadora Raquel Lyra postou em suas redes sociais este domingo uma mensagem de agradecimento à sua vice, Priscila Krause. “Sempre disse que Priscila iria governar Pernambuco junto comigo. E que bom ver que o Estado foi super bem cuidado durante os dias de Carnaval, em que precisei cuidar dos meus. Agora volto revigorada para seguirmos fazendo as mudanças que Pernambuco precisa. Obrigada, Priscila. Tô de volta e vamos simbora que o nosso trabalho por Pernambuco tá só começando”.
Comissões da Alepe na pauta do Palácio
Nem bem aterrissou no Recife na noite deste sábado e Raquel já começou a se informar sobre o andamento das articulações para definição das comissões da Assembléia Legislativa, o seu primeiro desafio político após a posse. A governadora quer que sua base na Alepe ocupe a presidência das três principais comissões – Justiça, Finanças e Administração – as que podem dar mais dores de cabeça a um governador se ficarem nas mãos da oposição. Esta segunda-feira, o presidente da Alepe, Álvaro Porto, reúne-se com o colégio de líderes para definir a composição das 17 comissões.
Pergunta que não quer calar: Lula vai ficar do lado de Gleice (contrária) ou de Haddad na questão da desoneração do preço da gasolina?
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