Giro Político

Coluna política desta sexta-feira

Carlos Vera e Doriel Barros

 

A “ruralada” do PT enfrenta os urbanos

 

– Conhecido por ser um partido de grupos, o PT pernambucano se cozinha por dentro na hora das disputas internas que geralmente passam ao largo do comum dos mortais. Assim foi desde sempre mas este ano o caldo entornou quando a chamada “ruralada” como são chamados os petistas oriundos sobretudo na Zona da Mata onde o comando é da Fetape (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco) cresceu o olho e, com o patrocínio do senador Humberto Costa, montou o que está sendo chamado nos bastidores partidários de “tese da escadinha”.

 

A tese contempla o deputado federal Carlos Veras como candidato ao senado e, na sua calda, o deputado estadual Doriel Barros (ex-presidente da Fetape) para federal e o assessor do senador Humberto Costa, também da Fetape, Edson Galindo, para estadual. Como as deputadas Marília Arraes(federal) e Tereza Leitão (estadual), de votos mais urbanos, também compõem o trio petista pinçado para participar da chapa majoritária da Frente Popular, a disputa foi para os holofotes.

 

– O PT não pode virar um puxadinho dos rurais – afirma uma liderança de alto coturno da agremiação. Há poucos dias o próprio pré-candidato a governador Danilo Cabral foi constrangido ao ser chamado para um encontro com trabalhadores rurais na Fetape e ter sido alvo – segundo os urbanos – de uma prensa para apoiar Carlos Veras. Foi aí que a coisa ficou braba.

 

Correntes diferentes

Além de serem mais urbanas, Tereza e Marília, são, a nível estadual, de correntes diferentes do senador Humberto Costa e dos “rurais” que pertencem à CNB, a corrente de Lula. As duas deputadas, porém, a nível nacional, continuam na CNB. No estado Tereza lidera o Coletivo PT Militante e Marília tem um grupo próprio. A decisão das duas de permanecerem na CNB tem o objetivo de demonstrar que a linha de pensamento diversa é só estadual.

 

Fetape e Arraes

Como a Fetape sempre foi muito ligada ao ex-governador Miguel Arraes que virou quase um rei da zona-da-mata enquanto era vivo e ainda hoje é cultuado, a Fetape foi, nos primórdios, mais ligada ao PSB tanto que em 2010 indicou dois candidatos a estadual Bruno Ribeiro, do PSB, e José Patriota pelo PT. Resultado: não elegeu nenhum. Foi aí que lançou Manoel Santos, que se dava bem com os dois partidos e as diversas correntes e venceu. Manoel. Já falecido, foi substituído por Doriel Barros que reza pela cartilha de Humberto.

 

Veras fortalecido

Em 2018 o deputado federal Carlos Veras, presidente da CUT estadual e irmão do ex-presidente da Fetape, Aristides Santos, sendo por isso considerado como “rural”, se elegeu e passou a fazer parte também da chamada “ruralada”. Na briga entre os grupos já se presume que, de tão fortes, os rurais podem até engolir Humberto, caso Veras seja indicado ao senado e vença a eleição.

 

Os diários de Edgar

O ex-deputado e também ex-secretário dos governos de Arraes e Jarbas, Edgar Moury Fernandes, está colocando suas memórias em livro que lançará ainda este ano. A publicação trata do seu ingresso na política, eleições que disputou e sua passagem intensa pelo PMDB. Além de muitas outras que testemunhou nos bastidores do poder. O livro promete.

 

Foto: Carlos Veras e Doriel Barros (Divulgação)

 

E-mail:terezinhanunescosta@gmail.com

 

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