Motivo de desavenças na eleição estadual, Marília tem dificuldade de se firmar

 

A deputada federal Marília Arraes, que começou o ano de 2022 como uma grande promessa política, chegando a convencer muita gente de que seria a futura governadora de Pernambuco, levando para seu palanque políticos tarimbados como André de Paula e Sebastião Oliveira, está concluindo o ano com enormes dificuldades no campo político. Não tem a confiança dos principais partidos de esquerda – PSB e PT – e no diminuto Solidariedade, que só elegeu três deputados federais, viu descer pelo ralo seu sonho de ocupar um ministério no Governo Lula. O partido só deve ser aproveitado no segundo escalão.

O motivo para tudo isso, segundo uma fonte do PT, foi a insubordinação da deputada, à qual foi oferecida a vaga de senadora da Frente Popular, mas ela não aceitou, preferindo manter-se na disputa para o Governo. “Marília hoje poderia ser senadora e bem votada mas acabou, infelizmente, como a grande perdedora do ano”- afirmou ao blog um deputado do PT que chegou a insistir para que ela se compusesse com a Frente. Fora isso, socialistas e petistas colocam na conta da deputada as vaias dadas ao PSB na presença de Lula, em Pernambuco – petistas descontentes se posicionaram contra o apoio ao socialista Danilo Cabral – de forma que hoje parece mais fácil uma aproximação de Marília com o prefeito do Recife João Campos do que com seu antigo partido.

No segundo turno, João Campos apoiou a prima mas ela continuou se colocando como oposição ao PSB. Outra fonte do PT analisa a situação como muito difícil : “o presidente Lula não gostou dos posicionamentos dela de forma que a mesma só conta com o presidente do seu partido, Paulinho da Força, para ser aproveitada no futuro governo”. Além de ter tido um prejuízo particular, Marília teria, segundo um deputado estadual socialista, desgastado a própria Frente Popular no processo, prejudicando todos os partidos. Resultado é que Lula acabou tendo em Pernambuco um percentual de votos inferior aos da Bahia e Ceará, tendendo a prestigiar mais as lideranças desses estados.

Paulo Câmara no radar

O presidente Lula manifestou ao governador Paulo Câmara o desejo de conversar com ele nos próximos dias. A esta altura, porém, Paulo deve ser atendido em uma estatal ou banco público e não em ministério. Uma fonte do blog confidenciou que Paulo está magoado com o PSB que decidiu levar a Lula apenas o nome do ex-governador de São Paulo, Marcio França. Outro socialista do Nordeste, o ex-governador do Maranhão Flávio Dino, será ministro da justiça, porém, não se tem a indicação como partidária mas como da cota pessoal de Lula que, assim como está premiando os ex-governadores Rui Costa, da Bahia e Camilo Santana, do Ceará, agradecendo os votos que teve nos dois estados, quis fazer o mesmo com Dino. O Maranhão sempre deu ao líder petista grandes votações.

Eriberto em alta

O deputado estadual Eriberto Medeiros, presidente da Assembléia Legislativa, está terminando o ano consolidando a sua liderança política, sobretudo no Recife, sua maior base eleitoral. Elegeu-se deputado federal, ajudou na vitória do seu filho Eriberto Filho deputado estadual e outro filho, Eriberto Rafael, é vereador da capital. A esposa, Mariana Medeiros, é prefeita do município de Cumaru. Páreo com ele só o deputado federal Dudu da Fonte que elegeu o filho Lula da Fonte também federal. Proeza só conseguida antes pelo deputado federal José Mendonça e Mendonça Filho.

Mulheres se antecipam e anunciam ministério

Depois da baiana Margareth Menezes, que anunciou ser a ministra da Cultura – não esperou por Lula – agora outra ministra, Nísia Trindade, presidente da Fiocruz, vazou para a imprensa que vai ser ministra da saúde. O presidente está sendo tragado pelos acontecimentos. Como tem demorado demais em negociações e até na discussão sobre desmembramento de ministérios para atender a todos os pretendentes, Lula ainda não formalizou o chamado “combo das mulheres” quando, de uma só vez, pensava em ungir quatro ministras. Deu chabu. Margareth e Nísia partiram na frente.

Pergunta que não quer calar: a governadora Raquel Lyra tem pensado em colocar o PT na sua base na Alepe, como está espalhando um graduado deputado petista?

E-mail: terezinhanunescosta@gmail.com

Compartilhar