Coluna política desta quarta-feira
Especulações irritam André
– Conhecido pelos políticos sisudos e mau humorados – coisa que a juventude dos candidatos este ano tem conseguido amainar – o estado de Pernambuco conseguiu produzir na geração intermediária um deputado federal admirado pela forma cordata como trata a todos: André de Paula. Por esse seu jeito de se portar André foi expoente dos grupos mais à direita e passou a apoiar a esquerda pelas mãos do ex-governador Eduardo Campos, sem gerar atritos. Virou, então, um nome de respeito para ocupar, como candidato ao senado, a chapa da Frente Popular. No entanto, a guerra de narrativas que tomou conta do grupo após o PT exigir a vaga do senado, vem conseguido revelar um outro André, com disposição para não ficar calado.
Na semana passada, em entrevista a uma emissora de rádio, soltou um “se servimos para votar também servimos para ser votado” e ontem, ao surgirem especulações de que poderia ser contemplado na chapa com a filha Cacau de Paula indo para a vice de Danilo Cabral – lugar que ele já recusou – mais uma vez não gostou. “Não propus isso e não me foi proposto. – disse ao Blog Dellas – Tenho três filhas muito competentes mas não faço política indicando filho para compor chapa. Não é por aí que a questão está sendo encaminhada e discutida”.
André está com uma espinha atravessada na garganta porque para o PSD apoiar João Campos o PSB prometeu a Kassab a vaga do senado. Agora o recado está dado.
O desafio do PSB no Recife
O PSB vai enfrentar dificuldades para decidir o que fazer no Recife na disputa pela Câmara Federal. Mantida a tendência atual do ex-prefeito Geraldo Júlio ser candidato a federal, os votos da capital precisam também beneficiar mais dois socialistas: Felipe Carreras e Pedro Campos. Como Geraldo recebeu de Eduardo Campos a tarefa de administrar a matemática da capital sabe como ninguém onde ir em busca do seu espaço. Já Carreras e Pedro Campos, este estreante na política, vão precisar de votos no interior para compensar o que vai faltar no Recife.
Pedro menor que João
Nas coxias do partido já há quem defenda a tese de que Pedro Campos, ao contrário do irmão João que há quatro anos precisou ser turbinado porque seria o candidato a prefeito, só precisaria dos votos suficientes para se eleger sem sobressaltos para ele ou para o partido. Neste caso pontuando com uns 150 mil votos já estará de bom tamanho. João teve, em 2018, 460 mil votos. Mas como é muito complicado dar ou tirar votos Carreras já está tentando se mudar para o PV.
Fim das coligações e de partidos
Criada com o objetivo de reduzir o número de partidos no Brasil o fim das coligações partidárias já está cumprindo o seu papel. No momento cerca dos 28 partidos com representação na Câmara apenas a metade vai sobreviver com as trocas de legenda previstas para acontecer até o dia 31 deste mês. Aqui em Pernambuco o mesmo acontecerá na Assembléia que tem 16 partidos representados e pode continuar com apenas sete, como prevê o líder do governo na casa, deputado Isaltino Nascimento. Isso sem contar com a disputa pelas sobras que é tratada neste Blog hoje em entrevista com Maurício Romão.
Alepe vai renovar direção
Com a decisão dos deputados estaduais Eriberto Medeiros e Clodoaldo Magalhães, atuais presidente e primeiro secretário da Assembléia, de disputar mandato de deputado federal a Alepe, depois de vários anos, vai passar por renovação na mesa diretora em 2023. Primeiro teve como presidente durante vários mandados o deputado Guilherme Uchoa, já falecido, e, nos últimos anos, vem sendo administrado por Eriberto pelo PP que cumpre seu segundo mandato.
Socialistas já sonham com os cargos.
A bancada estadual do PSB sempre lutou estes anos para conquistar a presidência da casa legislativa mas sempre foi preterida para outros partidos da base. Agora com a certeza de renovação os socialistas já começam a pensar em ocupar mais este nicho de poder. Como devem eleger mais de 20 deputados estaduais em outubro dificilmente perderão esta chance. No caso da primeira secretaria que sempre ocupou o PSB não teve sorte. Os dois que colocou no posto – João Fernando Coutinho e Clodoaldo Magalhães acabaram saindo da legenda.
Marília conversa mais não resolve
Uma fonte do Blog que conversou recentemente com Marília Arraes saiu do encontro com a impressão de que ela não vai deixar o PT. “Marília, pelo visto, está falando com muita gente mas não fecha com ninguém”. Na verdade, a deputada já esteve com Anderson Ferreira, antes da entrada de Bolsonaro no PL, e recentemente com a prefeita Raquel Lira e continua na lista de pretensos candidatos a senador pela Frente Popular.
Foto: André de Paula – Google Imagem
E-mail:terezinhanunescosta@gmail.com


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